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Tratamentos disponíveis para Crohn e Retocolite

Tratamentos disponíveis para Crohn e Retocolite

Dr. Guilherme Grossi Lopes Cançado Noticias 31 de janeiro de 2025

Tratamentos Medicamentosos Disponíveis para as Doenças Inflamatórias Intestinais"

Nesta aula de hoje, venho aqui apresentar para vocês, quais são os medicamentos disponíveis para o tratamento da Doença de Crohn e da Retocolite Ulcerativa.

 

Essa aula tem como objetivo levar informação ao público leigo, e não ao público médico especialista em doença inflamatória intestinal.

 

Doenças inflamatórias intestinais, como o próprio nome diz, são doenças que vão cursar com a inflamação do intestino e que podem ser divididas em 2 grandes grupos, a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa.

 

São doenças que se caracterizam pela presença de diarreia, dor abdominal, perda de peso, algumas vezes com constipação intestinal muito frequentemente, com a presença de muco, pus e sangue nas fezes, presença de fadiga, algumas vezes com febre, anemia e manifestações extra intestinais, como por exemplo, a artralgia, alterações nos olhos, alteração na pele e muitas vezes com acometimento do fígado. 

 

A Doença de Crohn é uma doença que acomete o intestino, da boca ao ânus, e tem como característica o acometimento salteado, ou seja, eu tenho áreas inflamadas do intestino que se intercalam com áreas saudáveis. A Doença de Crohn se caracteriza também pela presença de inflamação transmural, ou seja, toda a espessura da parede intestinal está inflamada, com úlceras profundas, cursando com complicações como fístulas e estenoses.

 

Já a Retocolite Ulcerativa tem um padrão de acometimento, que chamamos de ascendente e contínua, ou seja, a inflamação começa no reto e pode se estender por todo o intestino grosso, mas ela não vai acometer o intestino delgado. Ela se caracteriza por presença de úlceras superficiais e com maior frequência pela presença de sangramento intestinal.

 

As doenças inflamatórias intestinais são doenças progressivas, significa que, com o passar do tempo, vamos ter mais complicações e mais incapacidade, motivo pelo qual o tratamento deve ser instituído o mais precocemente possível.

 

O objetivo principal do tratamento é a cicatrização da mucosa intestinal, isso mesmo, o intestino que estava inflamado, passe a ser um intestino sem nenhuma inflamação. Além disso, melhorar a qualidade de vida do paciente com um controle adequado dos sintomas e prevenindo também o desenvolvimento de complicações. Dessa forma, reduzindo também o número de internações hospitalares, a necessidade de abordagem cirúrgica e diminuindo  o risco de neoplasia colorretal, ou seja, o câncer de intestino grosso. 

 

Para que o tratamento medicamentoso seja realizado de uma maneira adequada, é muito importante que o paciente encontre um médico especialista de sua confiança, aquele que será seu amigo ao longo dessa caminhada. E como nós podemos fazer isso? Entrando no site do GEDIIB (https://gediib.org.br/), que é uma associação médica voltada ao estudo de doenças inflamatórias intestinais, e procurando na aba “encontre um especialista”. Aqui vamos encontrar os médicos que são capacitados para o atendimento de pacientes com doença inflamatória intestinal em cada estado. 

 

Feito isso, quando nós vamos iniciar o tratamento medicamentoso, é muito importante que a decisão seja compartilhada, então é muito importante que o médico divida a decisão com o seu paciente, e para que essa decisão seja tomada de uma maneira mais consciente, é muito importante que o paciente tenha acesso à informação, ou seja, que ele conheça mais sobre a doença. É muito importante também que seja estabelecida uma relação de confiança mútua e que o paciente tenha uma grande rede de suporte que permita ultrapassar todos os percalços relacionados ao tratamento. Além disso, nós devemos discutir, quais são as melhores opções de tratamento e sempre tirar todas as dúvidas do paciente, além de programar um acompanhamento periódico adequado, estimular sempre a maior adesão possível a tratamento para que seja minimizado o risco de falha. 

 

Quais são os fatores que vão determinar a escolha do médico em relação ao melhor tratamento? Então, como eu vou decidir qual medicamento eu vou prescrever? A primeira coisa que nós levamos em consideração quando estamos diante de um paciente com doença inflamatória intestinal é: qual é o estado clínico do paciente. Quais são os sintomas e qual é a gravidade da doença? Existem complicações? O paciente já desenvolveu fístulas, estenoses? Ele tem fator de mau prognóstico, ou seja, ele é jovem, ele tem doença extensa? Ele já usou algum medicamento e falhou a esse medicamento? Teve algum efeito colateral? Teve alergia? É um paciente que eu tenho que me preocupar com o risco de infecção? Por exemplo, pacientes idosos, eu não posso correr o risco de desenvolver uma pneumonia, por exemplo, ou uma tuberculose. Qual é a história da doença desse paciente? A doença sempre foi grave? Ela piorou ao longo do tempo? O paciente já fez alguma intervenção cirúrgica, perdeu algum pedaço do intestino? Ele tem acesso a recursos de saúde? Por exemplo, não adianta eu passar um medicamento endovenoso para um paciente que não tem onde aplicar, que mora numa cidade pequena do interior, sem recurso hospitalar de alta complexidade. O paciente tem manifestação extra intestinal, ou seja, ele tem alguma manifestação fora do intestino que me leve a pensar em outro tratamento, que mude a escolha do meu medicamento? Então, todos esses fatores são muito importantes na tomada de decisão. 

 

Quais são os fatores que vão impactar no prognóstico, ou seja, quais são os fatores relacionados a uma pior evolução da doença? Primeiro, doenças extensas, ou seja, que acometem muitos segmentos do intestino e que se localizam especialmente no intestino delgado, tendem a ser mais graves. Além disso, pacientes jovens e pacientes fumantes também tendem a ter um pior prognóstico, assim como aqueles que já têm complicações, ou seja, que já desenvolveram fístulas ou estenose, ou aqueles pacientes que necessitam do uso de corticóide para controlar os sintomas desde o início da doença. Ou seja, aqueles pacientes que abriram a doença de uma maneira mais grave. 

 

Estabelecido o prognóstico, eu vou classificar o risco e a gravidade do paciente. Ele poderá ser de baixo risco ou de alto risco. Ele tem uma doença que está muito grave ou ele tem uma doença que é mais leve, mais fácil de controlar? 

 

O tratamento será, sempre, individualizado. Não existe uma receita de bolo para tratar a doença inflamatória intestinal. O tratamento que serve para o João não necessariamente vai servir para Joana, mas o objetivo final de ambos é o mesmo, indução da remissão. 

 

E o que é a remissão? A remissão significa controle dos sintomas e cicatrização do intestino. E para isso, nós temos um grande alvo. E como vamos fazer isso? Mais uma vez, feita a classificação da gravidade da doença, nós vamos escolher qual protocolo seguir.

 

Existem basicamente dois grandes protocolos. Um protocolo chamado de step up, que é um protocolo escalonado. Começamos com medicamentos de uma potência menor e vamos escalonando o tratamento ao longo do tempo. Vamos subindo a potência do tratamento. Outro protocolo chamado de top down, aquele tratamento que já começamos de uma maneira mais agressiva, ou seja, com cirurgia, ou com medicamentos biológicos e, caso haja um controle adequado da doença, depois reduzimos o tratamento para uma potência menor. 

 

Um dos medicamentos mais utilizados para o tratamento da Doença de Crohn e da Retocolite Ulcerativa é o corticóide. Que é o corticóide? Para o público leigo, corticóide basicamente é a prednisona, um potente anti-inflamatório, que é extremamente útil no tratamento das crises da doença, que consegue reduzir muitas vezes rapidamente os sintomas, mas ela também pode ser um grande vilão, especialmente se utilizada no longo prazo, porque o paciente vai desenvolver diversos efeitos colaterais. Além disso, a prednisona não é um medicamento adequado para cicatrização de mucosa, então ela não consegue induzir a remissão endoscópica, que é tão almejada pelo paciente e pelo médico. 

 

Quais são os principais efeitos colaterais associados aos corticóides? A formação de espinhas, a acne é bastante frequente, o rosto ou a face em lua cheia, que é aquele rostinho redondinho que a gente sabe que aquele paciente está usando o corticóide. Ela aumenta o risco de infecção e isso é muito importante, especialmente no momento que nós estamos vivendo agora no meio da pandemia de coronavírus. Sabemos que, de todos os remédios utilizados na doença inflamatória intestinal, o corticóide é aquele que aumenta mais o risco de uma infecção grave por COVID-19. Pode também causar diabetes, pode causar osteoporose, hipertensão arterial, desenvolvimento de estrias, roxos na pele, insônia, tremores e muitas outras complicações de maneira que, corticóide, não é para ser utilizado por muito tempo. Corticóide é uma droga de ponte até que a gente consiga o efeito de um outro remédio para manter a doença bem controlada. 

 

Outro medicamento bastante utilizado são os aminossalicilatos. Basicamente, a mesalazina e a sulfassalazina. São medicamentos extremamente úteis para o controle da Retocolite Ulcerativa, leve a moderada, mas também podem ser empregados na Doença de Crohn leve, ou quando necessita fazer controle de algum sintoma extra intestinal, por exemplo, a artralgia, no qual a sulfassalazina tem um efeito interessante, Elas não são consideradas medicamentos imunossupressores, são medicamentos que têm ação anti inflamatória no intestino grosso, mas que temos que ter em mente que não vão conseguir atingir uma concentração muito alta, especialmente nas porções finais do intestino, que se chama de reto sigmoide. Para os pacientes, então, que cursam com retite, o reto sigmoidite, muitas vezes nós temos que lançar mão de uma forma tópica da mesalazina, que seria o supositório, ou enema. Por que? Porque se a gente tomar um comprimido, ele não consegue atingir uma concentração adequada para o controle da doença no final do intestino, porque ele tem que atravessar muitos metros para chegar ali e ele não consegue atingir aquela concentração esperada. Esses medicamentos tem poucos efeitos colaterais. Eles podem cursar com desconforto abdominal, com dor de cabeça, com alergia e rarissimamente com alteração renal. Mas são drogas de uma potência mais baixa, que são utilizadas em situações mais específicas. 

 

As drogas imunossupressoras são aquelas que têm ação imuno moduladora, ou seja, elas vão controlar a resposta imune do organismo. Elas são utilizadas no tratamento, tanto da Doença de Crohn quanto da Retocolite Ulcerativa, especialmente nos casos moderados, a graves ou nos casos leves que não conseguiram controlar a atividade da doença, por exemplo, com desonida ou com mesalazina ou sulfassalazina. 

 

Os medicamentos mais utilizados são azatioprina e o metotrexato, mas algumas vezes a gente lança mão também da 6-mercaptopurina, do tacrolimus e da ciclosporina. São drogas que tem ação lenta, ou seja, elas demoram alguns meses para fazer efeito, de modo que elas não são boas drogas para ser utilizadas de uma maneira isolada no início do tratamento da doença. 

 

Então, quando se começa a tratar a doença inflamatória intestinal, geralmente, se faz o tratamento combinado, usamos o corticóide associado com azatioprina, corticóide associado à metotrexato e depois acabamos suspendendo o corticóide, mantendo somente azatioprina ou metotrexato, quando essas drogas atingem um bom controle da doença. Elas têm diversos efeitos colaterais, especialmente o risco de infecção, pancreatite, hepatite e redução das células brancas de defesa, rarissimamente podem cursar com linfoma e, em alguns casos, podem cursar também com intolerância gastrointestinal.

 

Vocês devem saber que algumas vezes a gente utiliza essas drogas em associação com imunobiológicos, especialmente com biológicos da classe de antagonistas, de TNF alfa, que seriam infliximabe e o adalimumabe. Isso pode ser feito por um tempo pré determinado ou pode ser feito por um longo período de tempo. Utilizamos os medicamentos em combinação para reduzir o que chamamos de imunogenicidade. 

 

O que é a imunogenicidade? Imunogenicidade é a resposta do nosso organismo contra o remédio biológico que estamos utilizando. Vou citar aqui, por exemplo, o infliximabe, quando injetamos o infliximabe num paciente, o próprio organismo do paciente pode desenvolver um anticorpo contra o infliximabe. Assim, para reduzir o efeito do infliximabe ao longo do tempo para evitar que isso aconteça, associamos um imunossupressor que reduza essa resposta imune contra a droga. Isso pode ser utilizado num período curtinho ou pode ser utilizado também por vários anos. Os medicamentos imunobiológicos são utilizados para o tratamento tanto da Doença de Crohn, como na Retocolite Ulcerativa.

 

Na Retocolite Ulcerativa moderada a grave, especialmente nos pacientes que já abriram a doença muito grave ou nos pacientes que falharam ao tratamento com os imunossupressores, eles são anticorpos que são produzidos por BIN engenharia genética e que são direcionados a alvos específicos do processo imune, e para a Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa existem 3 grandes alvos hoje disponíveis no mercado: o TNF alfa, IL 12/23 e a Integrina alfa 4 beta 7. 

 

As drogas, antagonistas de TNF alfa são o infliximabe, o adalimumabe, o certolizumabe e o golimumabe. O antagonista de IL 12/23 é o ustequinumabe, e o antagonista de integrina alfa 4 beta 7 é vedolizumabe, também conhecido como intivio. Eles tem rápido início de ação. Geralmente atingem um efeito após 6, 8 até 14 semanas do início do tratamento, e eles podem ser administrados tanto por via subcutânea quanto por via endovenosa, sendo que o intervalo de administração desses medicamentos, vão variar de acordo com o medicamento escolhido.

 

É muito importante saber que alguns medicamentos só podem ser aplicados pela via subcutânea e outros medicamentos só podem ser aplicados pela via endovenosa. Por exemplo, infliximabe, vai ser aplicado somente pela via endovenosa, enquanto adalimumabe vai ser aplicado somente pela via subcutânea. Já alguns medicamentos, como os tecnomabe, podem ser aplicados tanto pela via subcutânea quanto pela via endovenosa. No caso dos tecnomabe, a primeira dose é venosa e as demais doses são subcutâneas. 

 

Podemos ver um exemplo de resposta ao tratamento com medicação biológica. Nesse caso, aqui está apresentada a resposta aos tecnomabe:

1- Pacientes que nunca foram tratados com medicação biológica: 

semana zero até semana 6 = 56% dos pacientes apresentam alguma resposta clinica.

 

2- Pacientes que já fazem uso de medicação biológica e começam a utilizar outro biolǵico:

semana zero até semana 6 = 34% dos pacientes apresenta melhora:

Quando fazemos um medicamento biológico em um paciente que já falhou a outro biológico, ou seja, eu já tenho um paciente refratário. A taxa de resposta ao segundo, terceiro quarto biológico, ela é muito menor, então vocês podem vir aqui que a resposta cai de 56% para 34% na semana 6.

 

Ano 1 = 53% dos pacientes em remissão, sendo sustentada ao longo do tempo

 

Ano 3 = 43% dos pacientes mantendo uma resposta adequada ao tratamento

 

Nós sabemos que os medicamentos biológicos podem perder resposta ao longo do tempo justamente por aquele fenômeno de imunogenicidade, mas também pode acontecer dos medicamentos biológicos não funcionarem. Então a gente aplica as primeiras doses e se aquelas doses não fazem nenhuma diferença para o tratamento do paciente, chamamos de falha primária. Nos casos de perda de resposta, então aquele paciente que vinha evoluindo bem, mas que começa a perder resposta, a doença começa a retornar. Ele volta a ficar sintomático, avaliamos o aumento da dose ou a redução do intervalo de aplicação da medicação biológica. Em alguns casos, quando isso não funciona, optamos por trocar a classe do medicamento, o que também é feito quando o paciente apresenta falha primária, ou seja, aquele paciente que você utilizou aquele biológico e ele não teve nenhuma resposta. Nesse caso, é mais interessante trocar a classe do medicamento.

 

Sabemos que o medicamento biológico reduz a eficácia de vacinas, por isso é muito importante antes de começar a medicação, atualizar o cartão vacinal e também é muito importante que os pacientes tenham a consciência que, uma vez iniciado o protocolo de imunossupressão, seja com azatioprina, seja com metotrexato, seja com imunobiológicos, está contra-indicado o uso de vacinas com agentes vivos, atenuados, cito um exemplo, a vacina da febre amarela, que é uma vacina com vírus vivo atenuado. Não pode mais utilizar sob risco até de desenvolver uma forma de fusão da doença.

 

Os medicamentos biológicos podem ter vários efeitos colaterais, assim como os imunossupressores, eles aumentam o risco de infecção, podem aumentar o risco de linfoma, embora esse risco seja muito pequeno, podem causar reações alérgicas e alterações de pele, como por exemplo, a psoríase. Então, devemos estar sempre atentos, acompanhando de pertinho o paciente, quando ele inicia um tratamento biológico. 

 

Existem algumas associações de medicação que são mais seguras do que outras. É lógico que isso é levado em consideração quando estamos estabelecendo o tratamento da doença inflamatória intestinal. Sabemos que os medicamentos corticosteróides são os agentes mais deletérios aos pacientes com doença inflamatória intestinal, por isso, eles são utilizados pelo menor tempo possível. Enquanto os medicamentos mais seguros seriam, vedolizumabe e ustequinumabe.

 

Todos os medicamentos biológicos são de altíssimo custo, o que inviabiliza a aquisição por longo prazo pelo paciente, de modo que é preciso utilizar o sistema público de saúde através do SUS ou os convênios particulares para que se consiga manter uma administração adequada. Nem todos os biológicos estão disponíveis no SUS. O SUS, tem critérios rígidos de dispensação que temos que preencher. Existe um formulário, um padrão de relatório, para ser preenchido quando solicitamos o medicamento para o SUS. 

 

Devemos também realizar todo um protocolo de revisão laboratorial quando vamos iniciar o tratamento. Estamos buscando saber se o paciente não tem uma tuberculose latente através do PPD, fazendo o rastreamento de hepatites virais, do HIV, um raio x de tórax antes de prescrever a medicação, a decisão, ela deve ser sempre individualizada, contextualiza, dentro ali da gravidade da doença do paciente e do cenário que aquele paciente está inserido, de maneira que é muito importante compartilhar com o doente as opções do tratamento. 

 

Além disso, é importante destacar que não deve ser realizada de maneira alguma auto medicação. É muito perigoso. Se um paciente utilizou uma medicação X essa medicação também vai ser benéfica para o tratamento do outro paciente, porque às vezes não é. Então precisamos sempre pesar risco x benefício antes de tomar a decisão mais adequada. 

 

O tofacitinibe é um inibidor de JAK quinase empregado no tratamento da Retocolite Ulcerativa moderada a grave. Ele tem uma ação imunomoduladora da produção de citocinas e justamente por inibição da JAK tirosino-quinases, tem um rápido início de ação e tem como grande vantagem a via de administração por via oral. É um medicamento que foi disponibilizado no Brasil há menos tempo. Ele vem crescendo nos últimos meses e que apresenta alguns efeitos colaterais que a gente tem que tomar um certo cuidado, especialmente o risco de infecção por herpes zoster. Então é muito interessante que os pacientes façam a vacinação antes de iniciar o tofacitinibe. 

 

Com relação à gestação, sabemos que a maioria dos medicamentos é seguro. O médico assistente deve ser sempre informado do desejo da mulher de engravidar. Por quê? Porque é importante ajustar as medicações e efetuar um controle adequado da doença antes que a paciente engravide. O metotrexato tem que ser suspenso antes da gestação, de modo que se você estiver utilizando metotrexato é extremamente importante comunicar ao seu médico. E as outras medicações, elas podem ser mantidas, mas elas vão ser sempre individualizadas, pesando risco x benefício, junto com o paciente. 

 

O mais importante, quando a gente está planejando uma gestação, no entanto, é evitar que aconteça uma crise, uma ativação da doença durante a gestação. Porque isso, sim, é extremamente deletério a ao embrião que está ali sendo gerado.

 

Então, para resumirmos o que foi dito até agora, partindo do diagnóstico de doença inflamatória intestinal, vamos dividir os pacientes em dois grupos, os pacientes de alto risco e os pacientes de baixo risco. Aqueles pacientes de alto risco, com marcadores de mau prognóstico, vamos avaliar o início da terapia top down, ou seja, vamos iniciar de uma maneira mais agressiva, geralmente com medicamentos biológicos associados ou não, imunossupressores e provisco com a realização de cirurgia para depois avaliar o escalonamento. 

 

Já os pacientes que apresentam baixo risco, nós podemos iniciar em um protocolo escalonado, que é o protocolo step up. Vamos subindo a potência das medicações e à medida que o paciente não responde ao tratamento instituído, a reavaliação vai sendo feita com intervalo variado, depende do medicamento obviamente que estamos utilizando, mas na maioria das vezes avaliamos a resposta ao tratamento em torno de 6 a 9 meses após a instituição daquele medicamento. Vamos monitorar a resposta ao longo do tempo e para isso é muito importante o acompanhamento periódico junto ao médico gastroenterologista e coloproctologista. E também a realização de exames de laboratório, como por exemplo, a calcopectina fecal e a realização de exames endoscópicos, no caso, a colonoscopia ou endoscopia, quando for adequado. Exames de imagem como etero, tomografia ou entro ressonância. Nos pacientes que perdem efeito da medicação ao longo do tempo, ou seja, que voltam a ativar a doença, podemos otimizar o tratamento aumentando a dose ou encurtando o intervalo entre doses, ou podemos até mesmo considerar a troca de classe da medicação. Mas, o mais importante de tudo é que utilizemos a droga certa, na dose certa, para o paciente certo. E assim conseguimos controlar a doença e induzir a remissão, que é a tão sonhada, tanto pelos médicos quanto pelos pacientes.

 

Os medicamentos disponíveis no SUS são, no caso da Doença de Crohn, a prednisona, azatioprina, metotrexato e os biológicos infliximabe, adalimumabe e certolizumabe pegol e no caso da Retocolite Ulcerativa, a prednisona, a mesalazina, sulfassalazina, azatioprina e os biológicos, infliximabe, vedolizumabe, que foram recentemente aprovados no novo PCDT de Retocolite Ulcerativa, que foi uma luta grande dos pacientes e das associações.

 

Existem outros medicamentos para as doenças inflamatórias intestinais que estão aprovados em bula que, como falamos, são vedolizumabe e ustequinumabe, no caso da Doença de Crohn, e no caso da Retocolite Ulcerativa, ustequinumabe, golimumabe e tofacitinibe, que podem ser obtidos em alguns convênios e alguns planos de saúde. Mas aí também depende muito do plano de saúde que você está inserido.

 

Para onde vamos então? Essa é uma pergunta muito importante, especialmente para aqueles pacientes que já estão desesperançosos com o tratamento da doença, que já passaram por vários medicamentos e que não conseguiram a tão sonhada remissão. 

 

Como falamos, temos medicamentos específicos para tratar a doença inflamatória neste momento e temos outros tantos sendo testados com excelentes perspectivas de novos tratamentos. De modo que, cada vez mais o tratamento será individualizado, então, no futuro, aquilo que falamos a pouco da dose certa no paciente certo, medicamento certo, vai ser uma verdade absoluta. 

 

Por quanto tempo eu devo manter o tratamento? Essa é uma pergunta que angustia muitos pacientes e que, infelizmente, não existe resposta. Existem alguns estudos em andamento na tentativa de esclarecer essa dúvida, mas o que a gente sabe hoje é, não existe um tratamento curativo. Existem formas de controlar a doença, de induzir a remissão. Sabemos que o tratamento, o descalonamento, quer dizer, a retirada do tratamento ela é possível, mas em algumas circunstâncias muito específicas e que a gente deve ter sempre em mente, que a retirada do tratamento pode fazer com que a doença reative no futuro. 

 

Então temos sempre que tomar uma decisão compartilhada de risco x benefício. Quem são os pacientes que podem avaliar retirada de tratamento? Só aqueles pacientes que estão com a doença controlada, ou seja, os pacientes em remissão, que não têm fatores de mau prognóstico importante e que concordem com o risco da recaída ao retirar o tratamento. A gente não sabe se a doença vai voltar, em quanto tempo ela vai voltar, mas sabemos que o risco existe. Então nós temos que individualizar se vale ou não a pena correr esse risco.

 

Para terminar, é muito importante que vocês compreendam o diagnóstico. Qual é o prognóstico da doença? Quais são os objetivos do tratamento? Então, o que que eu estou buscando junto ao meu médico ao utilizar aquele medicamento? Que você divida suas angústias e dúvidas com o médico, esclareça tudo o que for necessário para que seja realizado um tratamento mais tranquilo possível,  de uma maneira mais segura. E que você participe do processo decisório de uma maneira que,  juntos, médico e paciente, possamos ser mais fortes e vencer essa doença.

 

Por fim, eu gostaria de convidar vocês a visitar o Instagram e o Facebook da DII Brasil, que é a Associação Nacional de Pessoas com Doenças Inflamatórias Intestinais, onde vocês vão encontrar informações sobre a Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa.

 

Um grande abraço a todos.

 

Texto extraído da vídeo-aula ministrada pelo Dr. Guilherme Grossi Lopes Cançado, no evento Maio Roxo 2020.

Dr. Guilherme é médico gastroenterologista e hepatologista pelo HC-UFMG. Mestre em Saúde do Adulto com ênfase em Gastroenterologia pela UFMG, Chefe da Clínica de Gastroenterologia e Hepatologia do Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais.

Médico preceptor das residências de Clínica Médica e Gastroenterologia do HC-UFMG. 

Membro do Conselho Científico da DII Brasil.

Entenda a Doença de Crohn e a Retocolite

Entenda a Doença de Crohn e a Retocolite

Dra. Ana Clara Hamer Noticias 31 de janeiro de 2025

DOENÇA DE CROHN e RETOCOLITE ULCERATIVA. O que são e as diferenças sobre essas duas doenças inflamatórias intestinais.

Texto extraído da videoaula ministrada pela Dra. Ana Hamer, no evento Maio Roxo 2020, realizado pela DII Brasil

Nós sabemos que as DII são, principalmente, duas doenças: a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa.  São doenças crônicas do intestino, que levam a uma inflamação crônica, são doenças de caráter autoimune e que chama atenção, os períodos de remissão e de atividade da doença.

Em geral, elas vão  comprometer pacientes de várias idades, mas o acometimento é maior, especialmente, de jovens na fase produtiva, jovens que podem ser do sexo feminino ou sexo masculino, mas também podem comprometer pacientes depois dos 50 e 60 anos. 

É uma inflamação crônica com períodos de exacerbação, em que a doença se manifesta com muita sintomatologia. Avaliando exames, como a colonoscopia, por exemplo, observamos a presença de úlceras, e quando no intestino delgado, os exames de imagem mostram a presença de inflamação. 

Mas também há episódios de remissão em que a doença está quieta, e o paciente está bem, sem queixas e muitas vezes, o que é melhor ainda, a remissão dos exames, uma remissão endoscópica, uma remissão histológica, ou seja, quando o paciente faz os exames e está tudo cicatrizado.

Diferença entre Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa

Falando sobre as duas diferenças entre elas: a Doença de Crohn é assimétrica, ou seja, é uma doença que terá locais de inflamação da mucosa, alternados e intercalados com mucosas sadias e novamente mucosa com inflamação, intercalado com mucosa sadia.

Na Retocolite, a doença não é assimétrica, é de forma contínua. Então, se o paciente tem doença no reto e, digamos que o paciente tem uma pancolite, ele tem uma doença em todo o colo, que irá comprometer o reto, o sigmoide, o descendente, o transverso, o ascendente e o seco, ou seja, todo o intestino de forma contínua. Ele não terá áreas inflamadas intercaladas com áreas sem inflamação, como se tem na Doença de Crohn.

Outra característica super importante é que a Doença de Crohn é transmural, ou seja, é uma doença que compromete toda a parede do intestino, ou seja, a mucosa, a submucosa, a muscular própria e a serosa. Por isso que na Doença de Crohn, o paciente pode ter a presença de fístulas, por exemplo.

Na Retocolite, ela já não é transmural, ela é mais superficial, geralmente ela só compromete a mucosa, e algumas vezes, um pouco mais profunda, mas o habitual é só o comprometimento da mucosa.

Para entender melhor, imaginemos uma parede entre um quarto e um closet. Como eu vou chegar no closet? Seria como pensar que essa parede fosse a parede intestinal. Na Doença de Crohn pode ocorrer exatamente isso, comprometer toda a parede do intestino, no caso simbólico no closet, atravessando a parede, que seria, na Doença de Crohn, a presença de uma fístula. 

A inflamação sai da parte mais superficial da mucosa, atravessa a submucosa, a muscular, e chega na serosa e assim, atinge um outro órgão. Formando assim, uma fístula para pele, por exemplo, ou para a vagina, enfim, esta é a noção de doença transmural. A Doença de Crohn pode acometer desde a boca até o ânus. 

Já a Retocolite Ulcerativa só vai comprometer o intestino grosso, só o colo, então é outra diferença. 

A Doença de Crohn, embora possa ocorrer desde a boca até o ânus, ela tem uma predileção pela região do íleo, que é uma parte do intestino delgado e do cólon, que é o intestino grosso. Então, embora possa ocorrer da boca até o ânus, ela tem essa predileção pela região íleo colônica. 

A Doença de Crohn também tem uma outra característica muito importante, que são as formas de manifestação. 

Uma delas, são as ulcerações na mucosa do intestino, um estreitamento da luz do intestino. Geralmente isso ocorre em pacientes que já têm uma estenose, que é uma diminuição do diâmetro do intestino. Como a Doença de Crohn é transmural, pode levar ao aparecimento de fístulas, que podem ocorrer fístulas êntero cutâneas. Podemos ter um paciente com uma Doença de Crohn perianal, com fístulas na região perianal. Isso ocorre na Doença de Crohn. 

Na Retocolite não tem a possibilidade de fístulas. A Retocolite pode ter uma mucosa bem mais friável, que sangra facilmente, mesmo quando se passa o aparelho de retossigmoidoscopia ou colonoscopia, poderá ter um sangramento fácil na mucosa. Ela é mais superficial, mas ela atinge a vascularização da mucosa e sangra, de forma mais fácil.

Como diagnosticar as Doenças Inflamatórias Intestinais?

Infelizmente não existe um único exame que consiga estabelecer o diagnóstico da Retocolite ou mesmo da Doença de Crohn. Por isso, associamos todas essas informações, aos dados clínicos, laboratoriais, endoscópicos, anatomopatológicos e radiológicos. 

E por que isso? Para ajudar nesse diagnóstico, para conseguirmos dar um diagnóstico correto. Isso é muito importante para fazer um diagnóstico diferencial, porque às vezes pode ser uma doença infecciosa do intestino. É importante considerar e levar em consideração todos os dados.

E a outra coisa também é que, quando conseguimos dar o diagnóstico correto, adequado, e se possível, precoce, e nós conseguimos começar o tratamento também de uma forma mais precoce, isso muda a história, a evolução da doença do paciente. 

Dentre os dados clínicos, é importante abordarmos bastante sobre as evacuações que, na maioria das vezes, o paciente terá diarreia, mas às vezes pode ter evacuações difíceis, como quando ele tem estenose. Verificar essa diarreia, se tem sangue, se tem muco, se tem pus, quantas vezes por dia, há quanto tempo que começou tudo é importante. 

Se tem algum sinal de alarme, por exemplo, se ele acorda à noite para ir ao banheiro para evacuar; se tem febre; quanto tempo o paciente tem essa febre; se está emagrecendo; se perdeu mais de 5% do peso corporal, é um sinal de alarme. Se tem presença de fístula, como às vezes vemos na Doença de Crohn.

As manifestações fora do intestino, isso acontece tanto na Doença de Crohn quanto na Retocolite. Deve-se observar também os antecedentes pessoais patológicos. Então, poderia ser um paciente que tem alguma alteração, como alteração do metabolismo do cálcio, uma osteopenia, uma osteoporose. 

Muitas vezes nem sabe ainda que tem a doença inflamatória, mas ela pode estar associada ou é um paciente que faz uso de anti-inflamatório, e esse, desencadeou um quadro de diarreia, porque o anti-inflamatório piora. Assim, procuramos sempre orientar os nossos pacientes para que não façam uso de anti-inflamatórios de forma inadvertida.

Observa-se também os antecedentes familiares, especialmente familiares de primeiro grau. Se tem o pai, ou a mãe, ou o irmão com Doença de Crohn ou Retocolite, essa pessoa tem mais chance de ter. Não é que ela vá ter, mas a chance aumenta. Então é bom avaliar isso também. 

Com relação à Doença de Crohn, é muito importante a dor abdominal. Muitos pacientes apresentam dor abdominal. Os 2 principais sintomas são dor abdominal e diarreia. É preciso saber se a diarreia tem presença de sangue, muco, pus. 

Também há quanto tempo ela se apresenta e se o paciente tem febre. Se positivo, é importante saber aferir essa febre. Se é uma febre baixa ou alta. Às vezes tem uma febre baixa, mas é uma febre persistente. É importante investigar se aconteceu perda de peso, quantos quilos a pessoa perdeu e em quanto tempo essa perda aconteceu. 

É preciso avaliar também a presença de fístulas. Na Doença de Crohn, isso pode acontecer por ela ser transmural, assim as fístulas podem ser na região perianal podem ser para a pele, podem ser uma fístula para vagina, podem ser em diversas localizações. Isso dependerá de onde ela começou e o trajeto que ela faz, até onde ela vai. 

Alguns pacientes vão ter déficit de crescimento. São geralmente pacientes crianças e adolescentes que não cresceram ou então, que na idade adulta, vemos aquele adulto baixinho como a baixa estatura, com baixo peso, que pode estar relacionado a isso. Então, na criança, é bom iniciar a investigação logo, porque assim se consegue começar o tratamento adequado, e com isso, o paciente pode ganhar peso e crescer, isso é muito importante. 

Alguns podem ter anemia. As lesões geralmente levam a ulcerações, a anemia pode levar à fadiga, alguns podem ter massa abdominal, porque inflama, formando uma fibrose, pode formar uma massa. É possível palpar massa abdominal. 

Alguns pacientes podem ter sinais de suboclusão (são aquelas pessoas que estavam até com diarreia e depois começam a ter um intestino preso e começam a ter dor abdominal). Pode acontecer da barriga ficar dolorida, inchada e distendida até que aconteça uma obstrução e o paciente precisa ser operado em caráter de urgência, vindo a descobrir a doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa já no bloco cirúrgico. Ou mesmo, se é feito o diagnóstico e se descobriu uma estenose ou em algum período da evolução da doença, ele vai precisar operar também. 

É sempre muito importante falar que a Doença de Crohn pode comprometer a região perianal e é chamado de Doença de Crohn Perianal. Nesses casos é fundamental que o paciente sempre faça uma inspeção anal, olhar a região do ânus, fazer o toque retal, e se realmente observar a presença de fístulas, fissuras, ou alguma alteração nessa região, contacte o proctologista da sua confiança para que ele faça o exame proctológico sob anestesia. 

Exames para identificar Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa

Este é um exame realizado no centro cirúrgico com anestesista, em que o proctologista abordará essas fístulas, fazendo a limpeza delas para que o tratamento seja adequado, porque não adianta tomar medicamento se não é feita essa avaliação de forma adequada e conjunta. 

Na Retocolite Ulcerativa, o que chama a atenção é a diarreia com sangue. Nós vimos que a mucosa tem uma friabilidade, um sangramento fácil. Muitas vezes o paciente relata que ele apresenta diarreia com sangue, ou mesmo só a eliminação de sangue. Às vezes, pode ter também diarreia com pus, com muco tenesmo, muitas vezes pelo próprio comprometimento do reto. 

Assim, o paciente tem aquele desconforto na hora de evacuar, aquela necessidade de evacuar muito grande com desconforto, com urgência, pode perder peso, e também, pode ter dor abdominal e febre.

As 2 doenças, Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa podem ter manifestações fora do intestino, chamadas manifestações extra intestinais, e essas manifestações podem ser osteoarticulares. Às vezes o paciente vai dizer ao médico que ele tem dor articular, às vezes relatará que está inflamado, inchado. 

O paciente pode ter alterações dermatológicas, o pioderma gangrenoso e o eritema nodoso. São lesões acastanhadas e que doem. O paciente pode ter ainda, alterações oftalmológicas, chamada de síndrome do olho vermelho. 

O médico costuma perguntar ao paciente, se em algum momento o olho ficou vermelho, se doeu, porque várias alterações podem levar a inflamações. Também tem a parte do fígado, hepatobiliar. O paciente fica ictérico, amarelado, e tem alguma alteração chamada colangite esclerosante primária, que nesse caso é mais comum na Retocolite Ulcerativa do que na Doença de Crohn. O médico precisa investigar, fazer um outro exame de imagem para essa parte, fazer avaliação de exames relacionados para o fígado.

Os exames laboratoriais também fazem parte dessa avaliação de diagnóstico, como hemograma, porque o paciente pode ter anemia, pode ter uma plaqueta alta por causa da inflamação. O perfil de ferro, muitas vezes é acompanhado também, e em geral os pacientes têm uma ferritina alta por conta da inflamação, embora alguns possam ter baixa porque também há perda de ferro. 

Mas, em geral, por conta daquele período em que a doença está em atividade, a ferritina é alta. Provas de atividade inflamatória, a proteína C reativa, que é o PCR, a velocidade de sedimentação, que é o VHS, são provas inflamatórias que são inespecíficas. Esses índices podem ter aumentado num paciente, por exemplo, por causa de uma amidalite, uma pneumonia, não só porque ele tem inflamação no intestino, mas já vão nos dar alguns dados.

20% dos pacientes podem não ter alteração no PCR. A calprotectina fecal já é um exame melhor, porque ele é mais específico do intestino. Este exame vai nos mostrar que, aquela inflamação é do intestino, diferente dos outros, que são inespecíficos. 

Além de mostrar a inflamação, ele pode ajudar no diagnóstico diferencial, por exemplo, da síndrome do intestino irritável. Assim, ele pode mensurar antes mesmo de uma colonoscopia, que tem alterações do seu exame. Se tiver uma calprotectina fecal alta, o exame já pode mostrar que a doença vai entrar em atividade neste paciente, se ele ainda não tiver já demonstrando essa atividade inflamatória no intestino.

Com relação aos achados endoscópicos, em geral, realizamos uma colonoscopia, que é um exame que avalia o intestino grosso e a parte final do intestino delgado. Temos casos de pacientes com grandes ulcerações. São mais profundas na Doença de Crohn. 

A válvula ileocecal também poderá estar inflamada, poderá ter uma úlcera também, do tipo aftoide, e úlceras grandes e profundas na Doença de Crohn. Quando há uma inflamação mais crônica e importante no intestino, ele pode ter um aspecto de pedras de calçamento. Esse aspecto é chamado de “Cobblestone”.

Na Retocolite é importante o exame de colonoscopia e às vezes, se faz também a retossigmoidoscopia, mas lembrando que na retossigmoidoscopia só é possível avaliar o reto e o sigmoide.

Em cerca de 10% dos casos, não conseguimos realmente diferenciar entre Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa, mesmo com toda essa avaliação clínica, laboratorial, endoscópica. Em cima desses resultados, colhe-se biopsia, através da colonoscopia, e essa biópsia é encaminhada ao patologista para avaliar. 

Então é aqui que conseguimos ver um granuloma, não casuoso, que esse é bem característico da Doença de Crohn, mas o médico não espera essa alteração para dar o diagnóstico, porque ela ocorre em menos de 20% dos casos. Mas é um exame a mais para ajudar. 

Na Retocolite, o que chama mais atenção, é a presença de abscessos em cripta. A criptite é a inflamação dessas criptas. Também não esperamos que ocorra em todos os pacientes, mas é um dado a mais, não ocorre só nessa doença, mas juntando com os outros exames, pode ajudar no diagnóstico. 

Os exames radiológicos, na Doença de Crohn, o médico pode avaliar a enterografia por tomografia, que é chamada de enterotomografia ou enterorressonância. São exames que avaliam melhor a parede da mucosa intestinal, mostrando espessamento, inflamação, às vezes, estenoses, fístulas, também podem estar presentes. 

Na Doença de Crohn deve ser feita avaliação do intestino delgado, porque a colonoscopia vai só até a região do íleo terminal, até uns 10 cm do íleo. Esse exame vai mostrar todo delgado, porque às vezes, o paciente com Doença de Crohn pode também ter inflamação no intestino delgado. 

Para a Retocolite, os exames radiológicos não são necessários, apenas quando o paciente está obstruído. Neste caso, o exame é um raio x do abdômen. E aqui, na Retocolite Ulcerativa quase não usamos exames radiológicos, mas em casos mais graves, que pensamos num megacólon, uma distinção da alça intestinal. Ela fica bem aumentada de tamanho. É um caso grave de Retocolite. Neste caso, fazemos um raio x de abdômen, mas habitualmente só colonoscopia mesmo.

Transcrição do vídeo por Heloísa Rampazzo, do núcleo de voluntariado da DII Brasil

 

Crohn e Retocolite na Infância

Crohn e Retocolite na Infância

Dra. Thaís Oliveira de Sousa Noticias 31 de janeiro de 2025

Crohn e Retocolite na Infância  

Meu nome é Thais, sou gastropediatra e fui convidada para participar do Maio Roxo Virtual e falar um pouquinho com vocês sobre a doença inflamatória intestinal na faixa etária pediátrica. 

As doenças inflamatórias intestinais frisadas por uma inflamação crônica do trato digestivo, acometendo, principalmente o intestino, são representadas pelas Doença de Crohn, Retocolite Ulcerativa e uma pequena parcela pela colite indeterminada ou não classificada. 

São doenças progressivas de etiologia multifatorial, principalmente fatores ambientais e genéticos. Existem vários estudos que apontam para a possibilidade de que a alimentação, condições higiênicas, a urbanização e uso excessivo de antibióticos podem contribuir para uma resposta imune inapropriada. Isso explicaria o grande aumento da incidência e prevalência em todas as faixas etárias, nas últimas décadas, em todo o mundo.

Crohn e Retocolite Ulcerativa na Infância

Cerca de 25% dos pacientes são diagnosticados antes dos 18 anos de idade e estima-se uma incidência entre 7 a 10 crianças, para cada 100.000 adultos. As crianças apresentam pior extensão e gravidade da doença em comparação com os adultos, porque comprometem o crescimento e o desenvolvimento, e estima-se que, quanto mais precoce é o início dessa doença, pior é a resposta ao tratamento convencional.

Elas podem ser classificadas por faixa etária, então, a forma pediátrica abrange quando o período de início da doença se dá entre 10 e 17 anos. Elas podem ter início precoce entre 6 e 10 anos e início muito precoce, abaixo dos 6 anos. 

Quanto mais cedo se dá o diagnóstico melhor é para o paciente. É necessária uma investigação complementar para afastar doenças que podem estar relacionadas, por exemplo, com imundo deficiência. Assim, se faz necessário a realização de sequenciamento genético exoma.

A maioria dos pacientes pediátricos apresentam, inicialmente, diarréia e dor abdominal. O sangramento retal é mais comum na Retocolite Ulcerativa, enquanto que a perda de peso e parada no crescimento são mais comuns na Doença de Crohn. 

Manifestações extra intestinais podem ocorrer, por exemplo, no desenvolvimento articular, manifestações cutâneas hepáticas podem até mesmo ser uma apresentação inicial da doença. Os sintomas tendem a exacerbar numa fase de recaída de progressão da doença, e podem desaparecer numa fase de remissão.

Agora, falando um pouquinho mais específico de cada uma das 3 doenças. 

Na Doença de Crohn, a inflamação pode acometer uma única área, geralmente o íleo, como pode acometer o cólon de uma forma segmentar ou pan colônica, assim como o esôfago, estômago, duodeno e cavidade oral. O períneo deve sempre ser avaliado porque a presença de fissuras, abcessos e fístulas nessa região, aumenta muito a chance de ser Doença de Crohn na faixa etária pediátrica. É fundamental o acompanhamento do crescimento, e nos adolescentes, o acompanhamento dos caracteres puberais.

 Na Retocolite Ulcerativa, tipicamente acomete de forma contínua o reto e o cólon, sendo mais frequente em pacientes adultos e, em geral, menos grave. Já em crianças, tem um acometimento muito mais extenso, com comprometimento nutricional importante. 

Já a Colite Indeterminada ou não classificada, ocorre quando os achados histológicos não são típicos nem de Doença de Crohn, nem de Retocolite Ulcerativa e em pacientes pediátricos podem ser uma manifestação inicial. 

Lembramos que podemos mudar o diagnóstico conforme o avançar do acompanhamento. O diagnóstico é feito com base na anamnese e também é feito com o histórico do paciente, exames físicos, complementando sempre com exames laboratoriais, endoscópicos e de imagem.

Alguns exames não invasivos podem aumentar a probabilidade de uma doença inflamatória intestinal, como por exemplo, a calprotectina fecal. Vários estudos correlacionaram o aumento da calprotectina fecal com a presença de inflamação da mucosa intestinal e é confirmada por colonoscopia histológica. 

Este exame também é importante para o auxílio diagnóstico e monitorização do tratamento. Os pacientes com suspeita de doença inflamatória intestinal sempre devem fazer endoscopia digestiva alta e colonoscopia com coleta de múltiplas biópsias, porque é a histologia que faz o diagnóstico definitivo.

Tratamento de doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa na Infância

Em relação ao tratamento, antes de iniciarmos, devemos identificar alguns fatores: a apresentação da doença, se ela é inflamatória, estenosante ou fisturizante, principalmente na Doença de Crohn; a extensão da doença, que partes que ela acomete e a atividade da doença. 

Os objetivos do tratamento em crianças e adolescentes não se limitam apenas a melhora dos sintomas, mas também acompanhar de perto esse tratamento, com foco na cicatrização da mucosa para garantir uma resposta sustentada e menor chance de complicações. 

A nutrição enteral exclusiva é recomendada como tratamento de primeira linha na indução da remissão de crianças com Doença de Crohn ativa. Consiste na oferta de forma polimérica. São de 6 a 8 semanas, de preferência por via oral, mas, se necessário, pode ser complementada também por sonda naso enteral. 

Com relação ao tratamento medicamentoso, algumas medidas iniciais devem ser tomadas, como atualização do calendário vacinal, solicitar raio x de tórax, PPD, sorologias virais e tratar parasitoses.

 Na Doença de Crohn, a medicação, inicialmente mais utilizada, é a azatioprina, e na Retocolite Ulcerativa, é a mesalazina. Os corticóides, se utilizados, devem ser por curto período de tempo e sempre com retirada gradual, por causa dos efeitos colaterais. 

Em pacientes córticos dependentes devem ser utilizados imunobiológicos. Nesse caso, o infliximabe seria a droga escolhida. Em alguns casos, precisamos utilizar a dose e diminuir o intervalo das medicações. O ideal seria fazer a medição dos níveis plasmáticos, mas isso nem sempre é possível, porque ela ainda é muito cara. 

Então, para concluir um aspecto fundamental é a necessidade de um acompanhamento multidisciplinar, para dar assistência ao paciente, à família por todas as repercussões clínicas, às vezes acometendo mais de um órgão em sistema.

Também com acompanhamento de suporte nutricional e aspectos comportamentais, sociais e também aspectos em relação ao tratamento farmacológico e a adesão desse paciente no tratamento de longo prazo.

Espero que tenha ficado claro e estou à disposição para maiores esclarecimentos, obrigada pelo convite e até próxima.  O vídeo com a aula continua disponível no canal de Youtube da DII Brasil.

Texto extraído da vídeo-aula ministrada pela Dra. Thaís Oliveira de Sousa, no evento Maio Roxo 2020

Dra. Thaís é Gastroenterologista Pediátrica pelo Hospital São Lucas da PUCRS em Porto Alegre/RS. Especialista em Pediatria pela Associação Médica Brasileira (AMB) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Membro da Sociedade Latino-americana de Gastroenterologia Pediátrica e Nutrição (LASPGHAN).

Terapias complementares em Crohn e Retocolite

Terapias complementares em Crohn e Retocolite

Cadim Martins Noticias 31 de janeiro de 2025

Ansiedade, Crohn, Retocolite: uma estreita relação. Como Práticas Integrativas podem auxiliar as pessoas que sofrem com essas doenças?

A ansiedade é um promovedor de vários desarranjos no ser humano. Essa emoção, assim como todas as nossas emoções é importante para a nossa manutenção diária. O problema é quando ela chega a níveis muito altos, nos causando problemas de várias ordens.

No estudo das emoções, a ansiedade é uma emoção que fala sobre “preparo para o futuro”. Ela que nos coloca de prontidão para enfrentar situações que somos capazes de prever de certa maneira. Daí então nos colocamos de prontidão para o que tem por vir pela frente.

A ansiedade em níveis maiores do que o necessário promove o aumento de diálogo interno - que é de fato a pessoa conversar com ela mesma dentro da cabeça dela – em sua maioria pensamentos intrusivos e infelizes. Esses diálogos internos sempre tendem a ser de teor infeliz, em torno de doenças, acidentes, etc.

Com o aumento desses pensamentos, a mente elaborando cada vez mais cenas desastrosas, o corpo vai sempre se preparando para essas possíveis situações que ele não sabe se está para acontecer ou não na realidade, uma vez acionado o comando de alerta, o corpo simplesmente se prepara para reagir e aí que o problema vai virando bola de neve.

Quando nos desequilibramos no trato com essa emoção, a mente entra num estado de “ter que ficar sempre alerta” e é aí que começam os nossos problemas. O estado de alerta em nós acontece seguido da liberação basicamente de cortisol e adrenalina no corpo, o que nos deixa em certo estado de tensão. O que leva cada vez mais à liberação de cortisol e/ou adrenalina.

Como não há nada pra acontecer realmente, o corpo sofre as consequências dessa quantidade de neurotransmissores excessivamente liberados. Após entrar nesse estado algumas ou várias vezes seguidas ao longo do dia é comum o indivíduo sentir tremores, sudoreses, palpitação, extremidades geladas, vontade incontrolável de excretar, vômitos, etc.

A ansiedade em altos níveis e repetidas vezes passa a configurar o que chamamos síndrome de ansiedade, ou seja, a recorrência do estado de ansiedade em níveis consideráveis trazendo outros problemas subordinados a esse estado, inclusive o medo.

Quando a ansiedade se configura enquanto crise ou síndrome, ela traz um outro fator agregado, o medo. A ansiedade associada à questões de saúde, tendem a pensar excessivamente sobre a piora do próprio quadro ou que acontecerá com elas se tiverem alguma situação de risco. Esse “fenômeno” leva o indivíduo a um estado de “looping mental” onde ela pensa cada vez mais sobre os riscos, imagina cada vez mais situações desagradáveis e isso aumenta cada vez mais o seu medo e consequentemente a ansiedade toma conta trazendo os desconfortos já mencionados.

Esse “looping mental” é o ápice do diálogo interno que leva finalmente a pessoa a ter crises de ansiedade e posteriormente caminhar para o pânico, caso não seja tratado devidamente. É esse estado repetitivo da mente que leva a pessoa a fixar o pensamento nos próprios sintomas, nas próprias dores, na própria doença, sugestionando inconscientemente a si mesma o aumento considerável do próprio mal estar que possa estar sentindo.

Agora combine todo esse efeito da ansiedade com alguém que tem DII’s e perceba como a ansiedade desequilibrada poderá lhe causar o aumento do desarranjo do próprio quadro. O pensamento repetitivo, o foco nos sintomas, o excesso de elaboração dos próprios problemas tem por consequência aumentar as dores, crises e mal estares.

Por isso a importância do processo terapêutico, para aprender a lidar com os problemas de maneira mais clara, mais branda e pacífica principalmente consegue mesmo. Aprender a dizer não quando for preciso, a se posicionar sem precisar “engolir sapo”, a dizer com honestidade sobre os próprios sentimentos e pensamentos. Tudo isso leva a um equilíbrio fisiológico. A mente comanda o corpo, o corpo ajusta a mente e vice-versa. A busca pelo bem estar mental é crucial para a melhoria do corpo físico.

As Práticas Integrativas e Complementares para Ansiedade Crohn Retocolite

As PIC’s (Práticas Integrativas e Complementares) são técnicas terapêuticas que tem por objetivo dar complemento e/ou sustento aos tratamentos convencionais da medicina convencional. Em sua grande maioria – senão totalidade – debruçarão a atenção sobre as questões psicológicas e emocionais de qualquer enfermidade, isso não seria diferente para com as pessoas com doenças inflamatórias intestinais.

Elas buscam oferecer ao paciente uma tratativa com acolhimento e um olhar abrangente em torno de toda e qualquer enfermidade, daí muitas vezes atrelada ao termo holístico(relativo ao holismo; busca o entendimento integral dos fenômenos). Essas práticas não têm necessariamente comprovações científicas. Muitas delas quando produzem efeitos positivos aos pacientes geralmente são consideradas pela ciência convencional como placebo.

Reconhecendo, porém, essa incapacidade de comprovar os seus efeitos de maneira sistemática, o acolhimento de muitas técnicas pela OMS bem como pelo SUS, demonstra que empiricamente o efeito terapêutica dessas técnicas oferecem benefícios consideráveis a quem as busca.

Transcendendo então o olhar objetivo do mal funcionamento do sistema digestório, chegamos aos elementos subjetivos do ser humano, as emoções e os pensamentos. No entanto eles influenciam determinantemente o bom ou mal funcionamento do corpo. Das técnicas que trabalho e ofereço no meu consultório – Hipnose, PNL e Reiki – cada uma, no seu momento certo, auxilia a reduzir alguns sintomas das DII’s.

O assunto energia vem sendo cada vez mais observado pela área da saúde no âmbito objetivo da fisiologia humana, Somos dotados de energia nervosa no sistema nervoso central, que pulsa energia ao corpo grande parte do tempo. Nos alimentamos, descansamos, praticamos atividade física, para manter a energia e o funcionamento do corpo com boa qualidade. Existem suplementos alimentares que servem para fortalecer a energia do corpo, enfim, sem mística, esse já é um assunto comum quando falamos de saúde e bem estar.

Nós que buscamos estudar energia transcendendo o conhecimento científico convencional, descobrimos que os pensamentos e o sentimentos influenciam diretamente na nossa vida. E ambos atuam diretamente no nosso corpo físico trazendo saúde ou adoecimento de acordo com sua frequência e intensidade.

Levando isso em consideração, os nossos pensamentos podem influenciar diretamente na melhora ou no piora de um quadro de saúde. Porém as coisas não são tão objetivas e simples como dizem uns e outros por aí. Não caiamos na esparrela de acreditar em fórmulas sacrais de repetição de “pensamentos positivos” no afã de cura de enfermidades, principalmente as hereditárias e/ou crônicas.

Os estudos de PNL demonstram que a mente inconsciente ou subconsciente atua no nosso corpo de uma maneira muito direta, com uma intensidade ainda não mapeada em sua totalidade. Em PNL dizemos que corpo e mente são uma coisa só, porque ambos sofrem influências retroalimentares.

No estudo das energias, é muito comum ouvir a palavra chakra – significa roda que gira em sânscrito – que são basicamente pontos de entrada e saída de energia no nosso corpo. O termo centros de energia também é muito comum de ser utilizado. Esses chakras tem correlação direta com algumas glândulas endócrinas e também correspondência com as nossas emoções.

Em se tratando das DII’s, o sistema digestório fica mais suscetível de sofrer abalos e ficar afetado em decorrência do stress, trazendo a partir daí a possibilidade dos desarranjos intestinais, dores e crises que sabemos acontecer com quem é portador de algumas dessas doenças.

Reiki para DII

O Reiki é uma técnica japonesa de reequilíbrio energético através de imposição das mãos. Não há massagens, fricções, apertões, apenas o toque suave das mãos em pontos específicos do corpo em que estão localizados os chakras principais e pontos adjacentes.

Para o olhar da terapia energética, tudo indica que o manejo do estresse e da ansiedade é o caminho mais assertivo para o tratamento de uma doença inflamatória intestinal, pois quando somos submetidos reiteradas vezes ao estresse e a ansiedade, desarranjamos em nós mesmos a nossa estrutura energética.

O indivíduo quando se sente muito contrariado frequentemente gera em torno de si energias intensas na região do chakra do plexo solar – na região umbilical – e isso afeta diretamente toda a região gastrointestinal, não raro vemos pessoas quando levadas a alto nível de estresse e contrariedade terem diarreia ou mesmo ânsia de vômito.

Essas energias desequilibradas afetam também, o chakra básico - localizado na região do períneo – está diretamente vinculado às glândulas adrenais que são responsáveis pela liberação de cortisol e adrenalina no corpo, que muito comumente liberamos em situações de estresse, raiva, contrariedades fortes.

Ao se submeter a um tratamento com reiki, aos poucos a pessoa é levada a um estado de tranquilidade, pois a técnica pode proporcionar também uma calma durante a sua aplicação, o que permite a pessoa reavaliar e ponderar sobre as próprias atitudes e reações no dia-a-dia.

Bons terapeutas que trabalham com reiki não prometem cura de doença alguma, pois sabemos que mesmo que haja remissão completa de qualquer enfermidade, nada garante que não possa voltar um dia. No entanto, sabemos o quanto podem ser aliviados dores, reações adversas causadas por medicações, efeitos colaterais e até mesmo a melhor aceitabilidade do organismo em relação a alguns princípios ativos.

O reiki serve para auxiliar a pessoa a rebaixar os níveis de cortisol no corpo quando estão altos, aumentar a serotonina e até mesmo a endorfina, que são hormônios que sabemos combater as dores.

Reequilibrar as energias significa encontrar a maneira de viver que permite manter os bons quadros de funcionamento endócrino, mental e emocional do indivíduo, e isso não se faz com um ou duas sessões milagrosas de terapia. O processo terapêutico concita a pessoa à reflexão e entendimento do que rebaixa suas energias através do próprio comportamento no dia-a-dia. Há a necessidade de se conhecer e se entender de tal maneira a descobrir os momentos que levam ao rebaixamento da imunidade que propicia crises.

A manutenção das próprias energias é um exercício diário e não um trabalho milagroso de cristais, amuletos, gurus, técnicas infalíveis, não. É comprometimento diário com o próprio desejo de se manter são. Como se fosse uma prática diária de “homeostase energética”, na certeza de que esse compromisso é muito mais nosso do que das pessoas a nossa volta.

Para manter as energias em equilíbrio, muitas vezes é preciso modificar hábitos em todas as esferas – familiar, profissional, social, alimentar, espiritual – para que o bem estar que procuramos seja uma realidade prevalecente na nossa vida.

O reiki é uma técnica, e como qualquer técnica ela tem seu limite de funcionamento. Ela pode proporcionar reequilíbrio energético, pode oferecer restabelecimento do funcionamento fisiológico e também certo equilíbrio emocional, desde que o paciente esteja disposto a se implicar no seu processo e se colocar a disposição daquilo que pode lhe trazer melhor saúde e bem estar físico, emocional, mental e energético.

Hipnose para DII

A mente inconsciente ou o subconsciente se ocupa da maior parte do funcionamento do corpo humano. Ainda tenta-se descobrir se é real a média especulada de 95% do processamento da mente ser inconsciente, o que não me parece absurdo levando em consideração que seus batimentos cardíacos, sua respiração, o crescimento dos seus cabelos, unhas, dentes, cicatrizações, nada disso passa pelo aval da sua mente consciente.

Levando em consideração que a ansiedade e o estresse podem agravar os quadros e doenças inflamatórias intestinais, situações traumáticas ou exposição a “fatores fóbicos” podem ser geradores de crises na pessoa que sofre de DII. Isso porque uma experiência emocionalmente marcante de cunho negativo, pode levar a quadros de ansiedade por longo períodos de tempo levando a pessoa a desarranjos gastrointestinais.

Se há uma experiência traumática, que ao revisita-la na memória leva a pessoa ao estado de ansiedade ou mesmo de crises de ansiedade com agravamento pela crise intestinal, é possível tratar esse trauma através do transe hipnótico, para ressignificar essa experiência com a pessoa e ela poder quem sabe reduzir as crises da sua doença.

Muitas pessoas desenvolvem fobia de alguma coisa por inúmeros motivos diferentes, se a questão é reações a algum “elemento fóbico” – pessoas, lugares ou situações - a hipnose também é uma ferramenta excelente para que possamos mergulhar na mente inconsciente dessa pessoa, para que ela possa tratar a sua relação com isso que lhe traz alto nível de ansiedade e estresse só de pensar em encontrar.

O resultado dessa experiência pode ser uma melhoria no quadro da doença inflamatória intestinal, afinal de contas, tratar a ansiedade e o estresse são caminhos importantes para o equilíbrio de quem sofre.

PNL para DII

A mente inconsciente ou o subconsciente se ocupa da maior parte do funcionamento do corpo humano. Ainda tenta-se descobrir se é real a média especulada de 95% do processamento da mente ser inconsciente, o que não me parece absurdo levando em consideração que seus batimentos cardíacos, sua respiração, o crescimento dos seus cabelos, unhas, dentes, cicatrizações, nada disso passa pelo aval da sua mente consciente.

Levando em consideração que a ansiedade e o estresse podem agravar os quadros e doenças inflamatórias intestinais, questões mal resolvidas no dia-a-dia ou mesmo do passado, talvez sejam gatilhos que levem a pessoa a disparar desarranjos intestinais ao longo da vida.

Todas as vezes que revisitamos no pensamento, situações desagradáveis a mente inconsciente revive em toda sua pujança essa experiência. Para a mente inconsciente o que é imaginado é como se fosse vivido outra vez. Isso pode levar uma pessoa a entrar em processos de ansiedade inúmeras vezes ao longo do dia. Isso acontecendo ela pode a qualquer momento acionar os seus gatilhos de luta/fuga, para não reviver isso, e, uma das consequências possíveis são os desarranjos intestinais.

A Programação Neurolinguística pode levar – através de técnicas conversacionais ou específicas – o indivíduo a olhar para o mundo a sua volta por perspectivas diferentes. Quando falamos com um profissional da área da saúde mental dos problemas que nos afligem diariamente ou mesmo de problemas que nos acometeram no passado, somos conduzidos a uma espécie de “esvaziamento” disso que nos adoece.

Esse esvaziamento metafórico acontece em decorrência de uma compreensão mais confortável pra si mesmo daquilo que aconteceu. Ao modificar a maneira de compreender e sentir as nossas experiências incômodas é como se elas perdessem o sentido e motivo de serem cultivadas dentro de nós.

A PNL auxilia a cognitivamente olhar por novas perspectivas aquilo que nos aconteceu. Dois termos comuns da PNL são modelos de mundo e filtros mentais. Nós construímos o nosso modelo de mundo utilizando os filtros que nos deram(ensinaram a ter) para lidar com a realidade. As vezes esses filtros(maneira de ver a vida) ficam obsoletos e junto com eles o jeito de viver(modelo de mundo) também fica. Mas quando insistimos em sustenta-los mesmo assim acabamos por adoecer.

Quando então vemos novas maneiras, novas formas e acessamos novas forças em nós, e descobrimos que realmente somos os únicos que farão por nós as mudanças necessárias para uma vida melhor, acontece o que podemos chamar de autoconhecimento e desenvolvimento do autoamor. As únicas ferramentas capazes de nos colocar em harmonia conosco mesmo, propiciando um bom funcionamento fisiológico, mental e emocional.

Manifestações dermatológicas em Crohn e Retocolite

Manifestações dermatológicas em Crohn e Retocolite

Dra. Juliana Viesi Noticias 31 de janeiro de 2025

“Manifestações Dermatológicas nas Doenças Inflamatórias Intestinais” 

Uma aula sobre alterações de pele - manifestações dermatológicas nas doenças inflamatórias intestinais. Antes de falarmos sobre essas alterações, vamos falar um pouquinho sobre alguns conceitos básicos. Inicialmente vamos falar sobre anatomia do intestino. 

Anatomia do Intestino

Nosso trato digestivo é composto pela boca, que tem um tubo que leva o alimento até o estômago, chamado de esôfago. O estômago armazena o alimento. Depois dele temos o duodeno e depois, o intestino delgado. Logo após, o intestino grosso, que faz a comunicação com anus, e este, a comunicação com o ambiente onde serão eliminadas as fezes. Nosso intestino é composto pelo intestino delgado e pelo intestino grosso. 

Também é importante saber o que é uma inflamação do intestino e quais são os seus sintomas. 

Quando temos uma inflamação no intestino, provavelmente, todos nós já tivemos algum desses sintomas: dor de barriga como uma cólica, perda do apetite, náuseas, vômitos, diarréia, estar com intestino trancado, que chamamos de constipação ou ter alteração nas características das fezes, que podem se tornar mais líquidas, como uma diarréia, que pode ter um aspecto mais esbranquiçado, com a presença de muco ou até a presença de sangue nas fezes. Quando esses sintomas se tornam muito recorrentes, isso já pode ser sinal de uma doença inflamatória intestinal. 

O que são as doenças inflamatórias intestinais? São doenças crônicas que inflamam os nossos intestinos, tanto o intestino delgado quanto o intestino grosso. Os dois tipos de doenças inflamatórias intestinais são a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa. 

Qual a diferença entre essas duas doenças? A Doença de Crohn acomete geralmente o intestino delgado, mas pode acometer o intestino grosso e outras partes do trato digestivo, como esôfago, por exemplo, tendo como principal característica um aspecto de acometimento meio que salpicado, acomete pequenas lesões do intestino. Já a Retocolite Ulcerativa, o cometimento é geralmente na região do intestino grosso, mais extenso e contínuo, sem ser um aspecto salteado, como na Doença de Crohn.

Doença de Crohn ou Retocolite: qual é mais frequente

Qual delas é mais frequente? Esse estudo muito interessante foi publicado recentemente na Revista de Gastroenterologia de 2018. 

Foram avaliados 22.638 pacientes do Estado de São Paulo no período de 2012 a 2015. Observou-se que a Retocolite Ulcerativa estava presente em 53,83% desses pacientes e a Doença de Crohn em 46,16%. A diferença, então, não foi tão grande de uma doença para outra. 

Também falando desse estudo, observou-se que a preponderância nas doenças inflamatórias intestinais estão no grupo feminino com 59,7% e no grupo masculino, corresponde a 40,3%. Assim, conclui-se que ela pode acometer tanto homens quanto mulheres, e acomete também, várias faixas etárias. 

O principal é o diagnóstico, geralmente feito em torno dos 30 anos de idade. Mas vê que tem uma preponderância de casos em torno de 20 até 70 anos em relação ao mundo? A doença inflamatória intestinal é mais comum no hemisfério norte, Estados Unidos e Canadá. 

Na Europa também um pouco, mas especialmente na América Latina, a incidência da doença inflamatória intestinal está aumentando muito. Há um estudo que mostra que, todos os dias, é feito um diagnóstico de doença inflamatória intestinal na América Latina. Ela está presente principalmente na raça branca, mas a incidência vem aumentando em negros.

O histórico familiar é um fator bem importante porque quando a pessoa tem algum familiar com doença inflamatória, especialmente quando é parente de primeiro grau, aumenta muito o risco de ter uma doença inflamatória intestinal também. Esse risco seria um aumento de 4 a 20 vezes e é mais comum na Doença de Crohn do que na Retocolite Ulcerativa. 

Lembrando que a doença inflamatória intestinal acomete vários genes e esse acometimento é importante porque ele vai guiar a manifestação da doença, especialmente quando a gente fala na questão da resposta às medicações e às manifestações extra intestinais também.

Observa-se que, além da predisposição genética, alguns fatores podem levar a um aparecimento da doença, como uso crônico de antiinflamatórios, anticoncepcionais orais, e o tabagismo também é um fator que aumenta o risco de doenças inflamatórias intestinais, especialmente a Doença de Crohn. 

E quanto maior o nível socioeconômico, maior risco de doença inflamatória intestinal. Tem um estudo que mostrou que o tabagismo seria um fator protetor para Retocolite Ulcerativa, mas isso é muito indagado porque, na verdade, o cigarro aumenta o processo inflamatório do nosso organismo. Isso pode também predispor mais as doenças inflamatórias intestinais. Então fumar não é um fator protetor para Retocolite Ulcerativa.

Por que acontece a doença inflamatória intestinal?

Geralmente a pessoa tem uma predisposição genética e alguns fatores do meio, tanto no seu estilo de vida quanto a alguns fatores ambientais que podem desencadear a doença. Quando dizemos fatores desencadeadores podemos citar os antibióticos, os anticoncepcionais, processos infecciosos, alergias alimentares, algumas alterações hormonais, como a menopausa, gravidez e o estresse, que é tão relevante nos dias de hoje. 

Esses fatores levam a um aumento do processo inflamatório intestinal e esse aumento do processo inflamatório intestinal leva a uma resposta sistêmica do organismo, levando a uma doença autoimune.

Já falamos sobre alguns conceitos básicos em relação ao trato digestivo do intestino, falamos um pouco sobre inflamação, de como ocorre as doenças inflamatórias intestinais e agora vamos falar sobre as manifestações extra intestinais. 

Manifestações dermatológicas nas DII - manifestações extra intestinais

Elas geralmente ocorrem entre 24 e 65% dos casos, sendo mais relevantes na Doença de Crohn do que na Retocolite Ulcerativa. Nos estudos, 40% dos pacientes que têm doença inflamatória intestinal podem ter alguma manifestação extra intestinal, e essas manifestações podem ser na pele, nos olhos, nas articulações, na região da boca e podem também estar presentes nos rins e no fígado. Então, uma doença sistêmica não vai ficar muitas vezes só restrita ao intestino. 

Quanto à pele, tem um estudo que é muito bacana e foi uma tese de mestrado publicada em 2007 numa Revista de Proctologia que esse autor, o Mota, fez um estudo retrospectivo dos pacientes do ambulatório da USP em São Paulo de 1984 a 2004 e observou 1.000 pacientes com doenças inflamatórias intestinais. 

Destes 1.000 pacientes, 6,8% tinham alguma manifestação cutânea relacionada ou não com a atividade da doença. Qual a relação da pele e do intestino? Muito se fala da importância do intestino estar saudável para evitar algumas manifestações na pele. 

Isso fala a favor da doença inflamatória intestinal, mas também tem uma corrente bem importante hoje em dia, falando das inflamações intestinais, alergias alimentares, que predispõem mais a questão das espinhas.

Mas às vezes, nas doenças inflamatórias intestinais, observa-se que o processo inflamatório na região do intestino libera substâncias inflamatórias que vão para a corrente sanguínea e também vão causar inflamação na pele. Essas manifestações cutâneas, podem ser classificadas como:

  • recorrentes, que são aquelas manifestações que ocorrem com uma certa frequência;

  • reativas, que estão muito relacionadas com a atividade da doença;

  • autoimunes, que é um processo de inflamação sistêmico e pode predispor a outras doenças inflamatórias, inclusive na pele;

  • cutâneas, que são secundárias, que estam relacionadas tanto com a deficiência de alguns nutrientes, como zinco e ferro, como também com o tratamento, especialmente ao uso de imunobiológicos, uso de corticóides ou alguns outros imunossupressores.

  • Quantas manifestações recorrentes podemos citar? Na verdade, as manifestações orais que seriam as aftas, que muitas vezes são extremamente dolorosas, que às vezes evoluem para lesões maiores, as úlceras e também, além das aftas e das úlceras orais, podemos falar sobre aquele triangular que são rachaduras nos cantos da boca que são bastante incômodas. Essas manifestações orais são mais frequentes na Doença de Crohn do que na Retocolite Ulcerativa. 

  • Outras manifestações que podem ser bastante recorrentes, são as fístulas na região perianal e fissuras e abscessos. São lesões que causam grande desconforto ao paciente, levando a uma dor abdominal, muitas vezes com sangramento evidente nas fezes, e podem estar relacionados também com a constipação, com intestino trancado.

  • As fissuras seriam as aberturas nas rachaduras na região do ânus. As fístulas são, geralmente, lesões mais profundas, que seria a comunicação do reto com a questão da pele; e os abscessos são quando não há comunicação, aquela infecção mais profunda do tecido com acumulação de bactérias. Essas manifestações são mais comuns na Doença de Crohn do que na Retocolite Ulcerativa.

  • Em relação às manifestações cutâneas, são reativas, que estão muito associadas à doença, à atividade da doença, aí podemos citar o eritema nodoso, que, como o nome diz, eritema - vermelho, são nódulos avermelhados ou até arroxeados, que ocorrem principalmente nas pernas, mas podem também ocorrer nos braços. 

  • Geralmente, eles ocorrem nas 2 pernas, um aspecto bem simétrico de uma perna para outra. São lesões bastante dolorosas e ocorre por inflamação profunda do tecido gorduroso. São mais comuns em mulheres do que em homens. 

  • Foi observada uma incidência em torno de 3,6% nos pacientes com doença inflamatória intestinal e estariam relacionados com a atividade da doença, mas também podem ser relacionados com o uso de medicações como anticoncepcionais, uso de anti-inflamatórios, podem estar relacionados com o tratamento, com uso de alguns medicamentos para tratar a doença inflamatória intestinal.

  • O que é alteração reativa que às vezes assusta bastante? 

  • É uma lesão muito feia na pele, que chamamos de pioderma gangrenoso, que pode estar relacionada com a atividade da doença. É uma alteração cutânea reativa, mais comum, que ocorre em 3% dos pacientes. 

  • São alterações mais severas, debilitantes, porque são úlceras, são lesões de pele grandes que tem uma borda bem característica, borda bem marcada, tem um tecido que é bastante sanguinolento, que tem aspecto de pus, que sangra muito facilmente. 

  • Ocorre mais em mulheres do que em homens. É mais comum na Doença de Crohn e são lesões que estão relacionadas em locais que se traumatiza com maior frequência, como na região de tórax, na região das pernas, na região perianal e tem um fenômeno que é muito característico que chamamos de patergia. 

  • É o aparecimento de novas lesões após um trauma em algum local do corpo. E esse fenômeno de patergia é um fenômeno que é muito importante, porque quando o paciente está com pioderma gangrenoso, evitamos cirurgia, porque às vezes, no local da cirurgia, pode vir a aparecer uma lesão de pioderma.

  • Falando sobre outras manifestações cutâneas, podemos falar sobre as doenças autoimunes de pele e a psoríase é aquela que tem uma maior incidência nos pacientes com doença inflamatória intestinal. 

  • Geralmente, são placas avermelhadas, descamativas; às vezes, algumas placas, algumas lesões de pele mais espessas, elas acometem principalmente áreas de atrito e áreas de trauma, como joelhos e cotovelo. Podem ocorrer no couro cabeludo, podem ter manifestações nas unhas, que muitas vezes lembram até micoses, e podem também estar associadas com dores articulares e inflamações. 

  • Outra manifestação autoimune da pele é o vitiligo, que na verdade é o aparecimento de manchas brancas na pele pelo processo inflamatório da pele e ocorre uma destruição do pigmento, e o aparecimento dessas lesões ocorrem principalmente ao redor da boca, nas mãos e pés, regiões mais predispostas a trauma e também na região genital.

  • Agora falando um pouco das manifestações cutâneas secundárias à doença. Quando falamos de secundária, podemos falar sobre as deficiências de nutrientes como a deficiência de zinco e a deficiência de ferro, que estão relacionados com aquele processo inflamatório intestinal que dificulta a absorção desses nutrientes. 

  • Na deficiência de zinco, chamamos de acrodermatite enteropática. A principal manifestação são lesões de pele, especialmente lesões avermelhadas, que descamam, que muitas vezes lembram psoríase, e estão presentes ao redor da boca, na região das mãos, na região dos pés, na região perianal. 

  • Na verdade, muitas vezes pode ser dissociada com alguns distúrbios emocionais com alguma irritabilidade, então o diagnóstico não é só para as lesões cutâneas. Muitas vezes pedimos um exame de sangue e também avaliação do quadro clínico de alteração do sistema nervoso. 

  • Em relação à última manifestação secundária, bastante comum, a deficiência de ferro, que pode levar à anemia e à queda de cabelo, pode levar também à rachadura nos cantinhos da boca. Isso ocorre pela má absorção do ferro, em decorrência de um sangramento intestinal crônico, que nem sempre é visível nas fezes. 

  • Essa manifestação de deficiência de ferro também pode ser observada com alterações de unha. Tem uma unha que chamamos de unha em colher, que seria essa depressão na lâmina ungueal chamada taxa de coiloníquia e é uma manifestação cutânea secundária muito comum. 

  • Então temos que cuidar bastante, observar como é que está o exame de sangue, porque percebemos que os pacientes com doença inflamatória intestinal, com muita frequência, tem essa deficiência de ferro e o que eu mais vejo no consultório é a queda de cabelo, que é preponderante.

  • Outra manifestação cutânea secundária, que é bem interessante, são os efeitos dos medicamentos. Geralmente para tratamento de uma doença inflamatória intestinal, muitas vezes utiliza-se corticóides, imunossupressores e imunobiológicos. 

  • Eles podem baixar a imunidade do organismo, podem predispor o aparecimento de herpes, podem aparecer alergias cutâneas, podem levar à pele seca, à queda de cabelos, e à descamação das mãos e dos pés, que chamamos de reação paradoxal para os imunobiológicos.

  • Fique atento aos sinais e sintomas das DIIs. Cuide da sua saúde. Percebeu sintomas e comportamento diferente no seu corpo? Procure um médico! Quanto mais cedo for avaliado e diagnosticado com acesso ao tratamento, mais cedo a recuperação.

Texto extraído da vídeo-aula ministrada pela Dra. Juliana Viesi, no evento Maio Roxo 2020

Dra. Juliana é Médica Dermatologista. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Membro da Academia Americana de Dermatologia. Membro do Conselho Científico da DII Brasil.

 

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