Os cuidados da enfermagem com o paciente com diagnóstico de DII
Os cuidados de enfermagem para pacientes com Doença Inflamatória Intestinal (DII), como a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, são fundamentais para a gestão da doença e a promoção do bem-estar do paciente.
Quando diagnosticado com DII, o paciente costuma ficar cheio de dúvidas e, na maioria das vezes, não sabe lidar com o problema. Muitas vezes, resiste às mudanças necessárias. É nesse momento que a enfermagem pode e deve exercer um papel crucial de acolhimento.
Após o acompanhamento médico com o gastroenterologista ou proctologista, a enfermagem também realiza uma avaliação completa do estado de saúde do paciente, incluindo histórico clínico, sintomas e presença de complicações. Esse processo é essencial. Na verdade, é a base de qualquer cuidado em saúde, assim como o monitoramento de sinais vitais, alterações de peso, presença de dor abdominal e episódios de diarreia.
Cabe ainda ao(a) enfermeiro(a), após orientação médica, esclarecer ao paciente informações sobre a doença, suas possíveis causas, sintomas e formas de tratamento. É fundamental reforçar a importância da continuidade do tratamento, incluindo o uso correto das medicações, uma alimentação adequada, o equilíbrio da saúde mental e o comparecimento às consultas regulares.
O paciente precisa se sentir acolhido, e a enfermagem cumpre esse papel com sensibilidade, mostrando que é possível conquistar uma vida mais equilibrada com algumas mudanças na rotina. Avaliar o estado nutricional e encaminhar, quando necessário, a um nutricionista para a elaboração de um plano alimentar que minimize os sintomas, evitando alimentos irritantes e promovendo uma dieta equilibrada, também faz parte dos cuidados.
Durante os períodos de crise, o paciente pode sentir dores intensas. Avaliar a intensidade da dor e implementar intervenções para aliviá-la é essencial. Nesses casos, a enfermagem pode contribuir com a administração de medicamentos prescritos, orientar sobre a importância do descanso e ensinar técnicas de relaxamento.
Oferecer apoio emocional e psicológico é igualmente importante, reconhecendo que a DII pode gerar estresse e ansiedade. Além disso, é papel da enfermagem monitorar e cuidar da pele, especialmente em áreas que podem sofrer lesões devido à diarreia frequente ou ao uso de bolsa de ostomia.
É preciso estar atento(a) a sinais de complicações, como abscessos, fístulas ou perfurações intestinais, e agir com agilidade caso sejam identificadas.
Promover a autonomia do paciente, encorajando sua participação ativa no tratamento e nas decisões sobre os próprios cuidados, também é uma prioridade. Trabalhar em conjunto com outros profissionais de saúde, como nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais, é fundamental para oferecer um atendimento realmente integrado.
Esses cuidados visam não apenas tratar a DII, mas também melhorar a qualidade de vida do paciente e proporcionar um suporte humanizado e completo.
Referências
Livros
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Doenças Inflamatórias Intestinais: Uma Abordagem Interdisciplinar (Editora Atheneu, 2019)
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Enfermagem em Gastroenterologia (Editora Elsevier, 2020)
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Cuidados de Enfermagem ao Paciente com Doença Crônica (Editora Artmed, 2018)
Artigos Científicos
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Cuidados de Enfermagem ao Paciente com Doença Inflamatória Intestinal – Revista Brasileira de Enfermagem, 2020
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Abordagem Interdisciplinar no Cuidado ao Paciente com DII – Revista de Gastroenterologia, 2019
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Papel da Enfermagem na Gestão da DII – Revista de Enfermagem da USP, 2018
Sites Oficiais
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Sociedade Brasileira de Gastroenterologia (SBG)
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Ministério da Saúde do Brasil
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Organização Mundial da Saúde (OMS)
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American Gastroenterological Association (AGA)
Normas e Guias
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Norma Técnica de Cuidados de Enfermagem ao Paciente com Doença Crônica – ANVISA, 2019
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Guia de Prática Clínica para o Manejo da Doença Inflamatória Intestinal – SBG, 2020
Para aprofundar seus conhecimentos, consulte bases de dados científicas como PubMed, SciELO e LILACS.
Texto por Cibele de Fátima Costa da Silva, enfermeira membro do Conselho Científico da DII Brasil.
