DII Brasil se reúne com Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo para discutir a execução da Política Nacional das Doenças Inflamatórias Intestinais
A DII Brasil esteve reunida no dia 6 de outubro de 2025 com representantes da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo (SES-SP) para tratar da execução da Política Nacional das Doenças Inflamatórias Intestinais, instituída pela Lei nº 15.138/2025, sancionada em maio deste ano. A reunião reforçou a importância da implementação efetiva da lei e trouxe à tona desafios urgentes no atendimento às pessoas que convivem com Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa em território paulista.
O encontro contou com a presença de Patrícia Mendes, presidente da DII Brasil, e da sra. Gisele Souza, representante da regional G-Crohn, de Salto/SP, que levaram à Secretaria dados e relatos sobre as principais dificuldades enfrentadas pelos pacientes no Estado.
Construindo um fluxo de atendimento mais humano e eficiente
Um dos temas centrais da reunião foi a necessidade de criar um fluxo de atendimento padronizado e acessível, especialmente no âmbito da Atenção Básica. A Secretaria de Saúde reconheceu que muitos profissionais ainda não possuem conhecimento técnico suficiente para identificar os sintomas das Doenças Inflamatórias Intestinais, o que resulta em atrasos no diagnóstico e, consequentemente, em agravamento dos casos clínicos.
A DII Brasil destacou a importância de investir em educação continuada para médicos e equipes de saúde, com foco em diagnóstico precoce, acompanhamento interdisciplinar e manejo clínico adequado. Esse investimento em capacitação é o primeiro passo para garantir um atendimento mais humanizado e resolutivo, conforme prevê a nova política nacional.
Durante a conversa, ficou evidente que o fortalecimento da Atenção Básica é um dos pilares para o sucesso da lei. É nesse nível de cuidado que o paciente dá os primeiros sinais de que algo não vai bem. Se o profissional souber reconhecer os sintomas e orientar adequadamente, evita-se o sofrimento prolongado e a busca incessante por diagnósticos errados.
Déficit de centros de infusão em São Paulo
Outro ponto de destaque na pauta foi a carência de centros de terapia assistida (centros de infusão) fora da capital. Atualmente, apenas os pacientes de São Paulo e de Mogi das Cruzes têm garantia de acesso regular às infusões, conforme informações repassadas à DII Brasil.
Essa limitação compromete diretamente o tratamento de centenas de pessoas no interior e no litoral do Estado, obrigando muitas delas a percorrer longas distâncias para receber a medicação. Além do impacto físico e emocional, há o aumento de custos com transporte e o risco de abandono terapêutico, o que pode levar a complicações graves e internações frequentes.
A DII Brasil enfatizou que o acesso descentralizado ao tratamento é um dos princípios fundamentais da Política Nacional das Doenças Inflamatórias Intestinais. A criação e o fortalecimento de centros de infusão regionais são medidas urgentes para garantir a equidade no cuidado e a continuidade do tratamento em todas as regiões do Estado.
Compromisso com o acompanhamento das ações
Após a reunião, ficou estabelecido que o diálogo entre a DII Brasil e a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo continuará ativo. A organização acompanhará de perto as providências adotadas pelo órgão e manterá a comunidade de pacientes informada sobre cada avanço na execução da política pública.
A DII Brasil reafirma seu papel como ponte entre os pacientes e o poder público, atuando de forma técnica, colaborativa e propositiva. Esse acompanhamento constante é essencial para transformar o que está previsto na lei em ações concretas que melhorem a vida das pessoas.
A importância da Lei nº 15.138/2025
A Política Nacional das Doenças Inflamatórias Intestinais foi criada para estruturar o cuidado integral às pessoas com Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa no Brasil. A lei estabelece diretrizes que incluem diagnóstico precoce, tratamento multiprofissional, fornecimento regular de medicamentos, acompanhamento psicológico e nutricional, além da criação de protocolos clínicos e centros de referência.
Em São Paulo, a implementação dessa lei é estratégica, pois o Estado concentra uma das maiores populações de pacientes com DII do país. Garantir que a política saia do papel significa promover acesso equitativo, cuidado contínuo e qualidade de vida para milhares de pessoas.
Há dez anos, a DII Brasil atua de forma voluntária e gratuita, promovendo políticas públicas, disseminando informação de qualidade e fortalecendo associações estaduais e regionais em todo o país. Cada conquista é fruto de um trabalho conjunto entre pacientes, profissionais da saúde e gestores comprometidos com um sistema mais humano e eficiente.
A reunião com a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo representa mais um passo nessa caminhada. Um passo importante, firme e guiado pelo compromisso de transformar a realidade das pessoas que convivem com doenças inflamatórias intestinais.
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