Vacinação nas pessoas com Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa

Vacinação e DII: calendário da SBIm e onde encontrar os CRIE

Vacinação e DII precisam caminhar juntas. Para quem vive com Doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa, manter a vacinação em dia faz parte dos cuidados com a saúde e merece atenção especial, principalmente quando há uso de medicamentos que podem modificar a resposta do sistema imunológico.

Quando se fala em Doença Inflamatória Intestinal, é comum que a atenção esteja concentrada nos sintomas, nos exames, nos medicamentos e no controle da inflamação. Mas existe outro cuidado que não pode ficar em segundo plano: a prevenção de infecções.

Por isso, conhecer as recomendações de vacinação para pessoas com DII, saber quais vacinas podem ser indicadas e entender onde buscar os imunobiológicos especiais é tão importante quanto acompanhar a própria doença.

Por que vacinação e DII precisam caminhar juntas?

As vacinas ajudam o organismo a se preparar para combater determinadas infecções. Para pessoas que vivem com condições especiais de saúde, esse cuidado pode ser ainda mais importante.

Na Doença de Crohn e na Retocolite Ulcerativa, alguns pacientes utilizam medicamentos imunossupressores ou terapias que modificam a resposta do sistema imunológico. Dependendo do medicamento, da dose e da situação clínica, o risco relacionado a determinadas infecções pode ser diferente.

Isso não significa que toda pessoa com DII terá as mesmas necessidades de vacinação.

É justamente o contrário.

A vacinação deve ser avaliada individualmente, considerando idade, histórico de vacinação, diagnóstico, situação clínica e tratamento utilizado.

Por isso, uma pergunta simples pode fazer diferença na próxima consulta:

"Minha vacinação está adequada para quem tem DII e para o tratamento que estou fazendo?"

Existe calendário de vacinação para quem tem DII?

Sim.

A Sociedade Brasileira de Imunizações, SBIm, disponibiliza um Calendário de Vacinação para Pacientes Especiais. Ele reúne recomendações destinadas a pessoas que, por causa de determinadas condições de saúde, podem precisar de cuidados diferentes daqueles previstos no calendário de vacinação de rotina.

O calendário da SBIm contempla diferentes situações clínicas e orienta a vacinação de acordo com as características de cada grupo.

Para quem tem Doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa, consultar esse calendário é uma forma de entender melhor quais vacinas podem ser indicadas e quais cuidados precisam ser considerados.

Mas existe um ponto fundamental: o calendário não substitui a avaliação do profissional de saúde.

A indicação de determinada vacina pode mudar de acordo com o medicamento utilizado, o grau de imunossupressão, a atividade da doença, o histórico vacinal e outras condições de saúde.

Acesse o Calendário de Vacinação da SBIm para Pacientes Especiais.

Vacinação para pacientes com Crohn e Retocolite Ulcerativa

Quem tem DII não deve simplesmente comparar sua carteira de vacinação com a de outra pessoa.

Mesmo dois pacientes com o mesmo diagnóstico podem ter necessidades diferentes.

Por exemplo, o planejamento da vacinação pode ser diferente para uma pessoa que não utiliza medicamentos imunossupressores e para outra que está em tratamento com medicamentos que alteram a resposta imunológica.

Também pode haver diferenças entre crianças, adolescentes, adultos e idosos.

Por isso, a vacinação precisa acompanhar a história de cada paciente.

Outro cuidado importante é não interromper ou modificar o tratamento da DII por conta própria para tomar uma vacina. Quando existe necessidade de planejamento antes do início de determinado medicamento, essa decisão deve ser tomada pela equipe que acompanha o paciente.

Vacinação durante o tratamento da DII

Essa é uma dúvida frequente entre pessoas com Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa.

"Estou fazendo tratamento. Posso tomar vacina?"

A resposta depende da vacina e da situação de cada paciente.

Algumas vacinas podem ser administradas durante determinados tratamentos. Outras exigem cuidados específicos quando o paciente está imunossuprimido.

As vacinas também não são todas iguais. Existem vacinas inativadas, vacinas produzidas com diferentes tecnologias e vacinas vivas atenuadas. As recomendações e precauções podem ser diferentes para cada uma delas.

Por isso, antes de receber uma vacina, informe ao profissional de saúde:

  • que você tem Doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa;
  • quais medicamentos utiliza;
  • quando recebeu as últimas doses de vacinas;
  • se está passando por alguma alteração importante da doença.

E leve sua carteira ou caderneta de vacinação para a consulta.

Esse pequeno hábito pode ajudar o profissional a identificar o que está em dia, o que precisa ser atualizado e quais vacinas merecem atenção especial.

Onde encontrar vacinas para pacientes especiais?

Outra dúvida aparece logo depois da indicação da vacina:

"Onde eu posso tomar?"

Além das unidades que fazem parte da vacinação de rotina do SUS, existem serviços destinados ao atendimento de pessoas que precisam de imunobiológicos especiais.

Os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, conhecidos como CRIE, são serviços do SUS destinados a pessoas que apresentam determinadas condições de saúde e que, por isso, possuem indicações específicas para vacinas, soros ou imunoglobulinas.

Mas existe algo importante que o paciente precisa saber.

Nem todo serviço que aplica imunobiológicos especiais é necessariamente um CRIE.

A rede de atendimento pode envolver CRIE, Centros Intermediários de Imunobiológicos Especiais, conhecidos como CIIE, e salas de vacinação integradas à Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais.

Além disso, a organização dessa rede pode mudar ao longo do tempo. Alguns estados estão ampliando e descentralizando o atendimento para outros municípios.

Por isso, uma lista antiga de CRIE pode não mostrar toda a estrutura disponível atualmente.

A DII Brasil organizou uma relação de CRIEs

Para facilitar o acesso à informação, a DII Brasil está organizando uma relação nacional dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais e de outros serviços relacionados à vacinação de pessoas com condições especiais de saúde.

A relação foi construída considerando não apenas a listagem nacional do Ministério da Saúde, mas também informações de Secretarias Estaduais de Saúde, Secretarias Municipais de Saúde, CNES e outras fontes oficiais.

O objetivo é facilitar a busca por informações como município, unidade, endereço, telefone e outras orientações disponíveis.

Consulte a relação de CRIEs organizada pela DII Brasil

Como a rede de vacinação pode passar por mudanças, recomendamos confirmar as informações diretamente com o serviço antes de se deslocar.

Confirme principalmente:

  • endereço;
  • telefone;
  • horário de atendimento;
  • necessidade de encaminhamento;
  • necessidade de agendamento;
  • documentos exigidos;
  • disponibilidade do imunobiológico indicado.

Essa confirmação pode evitar uma viagem desnecessária e tornar o acesso ao serviço mais simples.

O que levar ao procurar um CRIE?

Antes de ir ao serviço, procure saber qual é o fluxo adotado naquela unidade.

Dependendo da situação, podem ser solicitados documentos como documento de identificação, cartão do SUS, carteira de vacinação, relatório médico, receita ou prescrição e outros documentos que comprovem a condição clínica e a indicação do imunobiológico.

O relatório médico pode ser especialmente importante quando a indicação da vacina está relacionada à Doença de Crohn, à Retocolite Ulcerativa ou ao tratamento utilizado.

Por isso, não deixe para descobrir essas exigências somente depois de chegar ao local.

Antes de sair de casa, confirme com o serviço.

Vacinação também faz parte do cuidado com a DII

Cuidar da Doença Inflamatória Intestinal não significa olhar apenas para o intestino.

O tratamento envolve muito mais.

É preciso acompanhar a atividade da doença, realizar os exames indicados, utilizar corretamente os medicamentos, cuidar da alimentação, observar a saúde emocional e manter os cuidados preventivos em dia.

A vacinação também faz parte desse cuidado.

Ela não substitui o tratamento da Doença de Crohn ou da Retocolite Ulcerativa. Também não significa que a pessoa ficará protegida contra todas as infecções.

Mas pode reduzir o risco de determinadas doenças e de suas complicações.

Por isso, vale transformar a vacinação em parte da rotina de acompanhamento da DII.

Na próxima consulta, leve sua carteira de vacinação.

Pergunte.

Atualize o que for necessário.

E, se receber indicação para procurar um CRIE, confirme o serviço mais adequado antes de sair de casa.

Informação também protege

Para quem vive com DII, informação confiável pode fazer diferença em decisões importantes.

Saber que existe um calendário específico para pacientes especiais.

Saber que algumas vacinas precisam ser avaliadas de acordo com o tratamento.

Saber onde procurar imunobiológicos especiais.

Saber que CRIE, CIIE e salas de vacinação podem ter funções diferentes.

Tudo isso ajuda o paciente a participar mais ativamente do próprio cuidado.

A DII Brasil acredita que acesso à informação também é parte do cuidado com a saúde.

Por isso, nosso objetivo é facilitar o caminho entre a informação e quem precisa dela.

Se você tem Doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa, converse com a equipe que acompanha seu tratamento sobre sua vacinação.

Pode ser uma conversa rápida.

Mas pode ser uma conversa muito importante.

Informação importante

Assista à palestra do Dr. Fernando Jorge Nóbrega,  Preceptor da residência médica em Clínica Médica e Gastroenterologia no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW-UFPB), onde também é corresponsável pelo ambulatório de doenças intestinais.   O link da aula no youtube é 
https://www.youtube.com/watch?v=K2ksqhio1BM   

MAS ATENÇÃO:

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação individual de médico, enfermeiro ou outro profissional de saúde habilitado. As recomendações de vacinação podem variar de acordo com idade, histórico vacinal, condição clínica, atividade da doença, medicamentos utilizados, grau de imunossupressão e outras condições de saúde. Não interrompa, altere ou adie seu tratamento por conta própria para receber uma vacina. Converse sempre com a equipe responsável pelo seu acompanhamento.